Sábado, 24 de março de 1984.
Escola secundária de Shermer, Illinois.
06:02 da tarde.
"Caro Sr. Vernon,
Aceitamos ficar um sábado inteiro de castigo pelo que fizemos de errado. Se é que o que fizemos foi errado. Mas achamos besteira o senhor nos mandar escrever uma redação sobre nós mesmos. O senhor não tá nem aí!
Pode nos ver do jeito que quiser. Resumindo, a definição mais apropriada é nos ver como: um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso. Correto? Foi assim que nos vimos hoje, às sete da manhã. E sofremos uma lavagem cerebral."
Em 15 de fevereiro de 1985 surgia nos cinemas dos Estados Unidos, um filme simples, de baixo custo, estrelado por cinco jovens, que mais tarde viraria um clássico do cinema. Sim, estou falando de The Breakfast Club, mais conhecido como O Clube dos Cinco.
Se você era adolescente na metade dos anos 80, ou é viciado em filmes velhos, como eu, provavelmente já assistiu esse filme. E vai concordar comigo, ele é muito bom.
O drama adolescente fala sobre cinco jovens totalmente diferentes, que por terem aprontado na escola, ficam de castigo e devem passar o sábado inteiro na escola. Sem poder sair, se levantar ou ao menos se mexer, por ordens do professor Vernon.
Nenhum dos cinco se conhecia bem, e o que sabiam um sobre o outro era totalmente superficial. Conheciam o que cada um aparentava ser, não o que cada um era.
Se você nunca assistiu ao filme, fique tranquilo, não darei spoiler.
Vou apenas comentar sobre o filme em si, o enredo, e minha opinião sobre ele.
Os personagens nos são apresentados pelos sobrenomes até uma certa parte. Então, de início, nos deparamos com Bender, um rebelde incompreendido, usando roupas totalmente punk, egoísta, irônico, que com umas poucas palavras pega no seu ponto fraco e te leva a um nível muito alto de ódio, ou de mágoa. Ele é interpretado por Judd Nelson.
É o criminoso.
Como em todo bom filme adolescente, o rebelde precisa de um inimigo popular. E no Clube dos Cinco, isso não é diferente. Temos o Andrew, um lutador. É o garoto mais popular da escola, cobiçado pelas garotas, e luta apenas para conseguir uma bolsa na faculdade. Faz de tudo para agradar seu pai, inclusive lutar. Ele é interpretado por Emilio Esteves.
É o atleta.
Ok, temos um rebelde e um popular, mas e a patricinha? Sim, ela está de castigo também. É a linda ruiva, provocante, boa aluna, muito popular e rainha do baile, Claire. Também é julgada pelo o que parece ser: perfeita. Claire é interpretada pela eterna garota de rosa-shocking, Molly Ringwald.
É a princesa.
Um rebelde, um popular e uma patricinha, não acham que falta um personagem fundamental? O nerd! E ele se chama Brian. Esse personagem subiu muito no meu conceito porque ele não era inteligente por gostar de estudar ou aprender, talvez até gostasse, mas o real motivo era a pressão de sua família. E a pressão que ele botava em si mesmo, com o mantra de "Nunca tirar um zero" sempre em mente. Brian é um jovem como qualquer outro, ele quer ter o direito de se divertir e fazer bobagens, e tirar um zero de vez em quando, e não poder fazer nada disso acaba o desesperando, levando-o a fazer o que fez para estar de castigo num sábado, sendo o garoto mais inteligente da escola. Ele é interpretado por Anthony Michael Hall.
É o cérebro.
Em um filme adolescente clichê, esses quatro personagens bastariam. Mas falta uma personagem que, na minha opinião, muda tudo. É a Allison. Ela é a garota estranha e anti-social, que veste roupas bregas e se esconde por trás de uma franja. Não fala, não tem amigos, e é tachada como maluca. Isso porque ninguém nunca parou para tentar conhecê-la e também porque ela nunca deixou ninguém fazer isso. Eu lhes garanto que irão se surpreender com a causa pela qual ela ficou de castigo. Ela é interpretada pela Ally Sheedy.
É o caso perdido.
Eu poderia falar sobre o Vernon, que é o diretor da escola, e também sobre o faxineiro Carl, mas são personagens secundários e vale a pena conhecê-los assistindo.
Pois bem, agora vamos à minha opinião sobre o filme.
Há dois anos eu o assisti porque haviam citado-o em um outro filme que eu adorava, e porque falaram da trilha sonora épica que Breakfast Club tem, que é a música Don't You (Forget About Me) do Simple Minds. Resolvi assisti-lo e gostei muito, mas não entendi bem a história do filme, o sentido. Eu gostei dos personagens, ri quando haviam piadas, e chorei quando disseram coisas tristes, e pronto. Mas hoje em dia, quando assisto, vejo que esse filme tem essência. Ele não fala sobre cinco estereótipos facilmente encontrados em escolas, que ficam de castigo e aprontam altas loucuras, como diria a chamada da Sessão da Tarde.
O Clube dos Cinco fala sobre cinco tipos de pessoas totalmente diferentes, que se julgam entre si apenas pelo que ouviram ou viram, mas que não se conhecem de verdade. E durante um dia de muitas discussões, provocações e brigas, eles enfim começam a ver que nenhum deles é totalmente correto, ou totalmente maluco. Percebem que todos têm seus problemas familiares e interiores, e que é isso que os prende às suas personalidades superficiais. Percebem que são iguais e diferentes, e que cada um é um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso.
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